11 dezembro 2007
o caos produtivo
23 novembro 2007
coco de telha
15 novembro 2007
09 novembro 2007
(sem título)
O menino encontrou um passarinho com a asa quebrada, no fundo do quintal. Levou para casa, cuidou dele. Não o meteu na gaiola, por gostar.
A irmã achava engraçada aquela cena, o pássaro pululando atrás do piá. Em passatempos, o bichinho foi ficando curado.
Um dia o ocorrível se deu: pousado nos dedos do menino, chacoalhou-se a alçou vôo ao infinito. O menino ficou admirar o bonito voar do amigo.
Depois foi chorar no fundo do quintal, onde a irmã não pudesse ver sua asa quebrada.
A irmã achava engraçada aquela cena, o pássaro pululando atrás do piá. Em passatempos, o bichinho foi ficando curado.
Um dia o ocorrível se deu: pousado nos dedos do menino, chacoalhou-se a alçou vôo ao infinito. O menino ficou admirar o bonito voar do amigo.
Depois foi chorar no fundo do quintal, onde a irmã não pudesse ver sua asa quebrada.
27 outubro 2007
I got a feeling
Que sentimento é esse que me invade rins, fígado e intestino, que me incomoda as entranhas, estranhas ondas eletromagnéticas?
What kind of fucking feeling is this, que me faz respirar com velocidade e andar a três centímetros do chão, que me faz caminhar pela praia às cinco da manhã fazendo vinte e oito planos por segundo?
Que não há remédio, droga ou aditivo?
Que não há poeta morto ou vivo?
Que transborda poesia e explicação?
I got a feeling deep inside, que me faz suspirar alto na biblioteca, deixar o café esfriar na pia, reesecrever minha biografia.
Estranho e belo sentimento, aliciosamente inescapável.
What kind of fucking feeling is this, que me faz respirar com velocidade e andar a três centímetros do chão, que me faz caminhar pela praia às cinco da manhã fazendo vinte e oito planos por segundo?
Que não há remédio, droga ou aditivo?
Que não há poeta morto ou vivo?
Que transborda poesia e explicação?
I got a feeling deep inside, que me faz suspirar alto na biblioteca, deixar o café esfriar na pia, reesecrever minha biografia.
Estranho e belo sentimento, aliciosamente inescapável.
funcionário do mês
Todo dia ele chegava na lanchonete meia hora atrasado. Os outros já lá, chapa quente. Ele: camisa amassada, olhos vermelhos, de ressaca. Na gola, manchas de batom. Entrava, triunfante, procurando um café. Durante o dia, fechava os olhos entre um suco de laranja e um cheese-bacon, lembrando de flashes da noite anterior por entre os pontos brilhantes que insistiam em piscar sob as pálpebras cerradas. O patrão não gostava, os outros funcionários comentavam. Ele não queria saber. Às cinco e cinqüenta, dez minutos antes do fim do expediente, parava em frente à parede de entrada e imaginava sua foto, boné de lado e camisa torta, "funcionário do mês". E quando o último cliente pedia mais um milk-shake, imaginava-o pensando: "esse sabe viver".
06 outubro 2007
25 setembro 2007
Dia desses
(A Bob Dylan)
Saí de casa com pressa
Desci a ladeira atrasado
Pensamentos perseguindo minha manhã
No muro do mercado Eufrásio
Passei ao lado do leão pintado
Comendo uma lata de goiabada Leão
O café feito petróleo
Engolido em um só trago
Dessa vez não me queimou o estômago
Mas também não me acordou
O ponto estava cheio
E o coletivo abarrotado
Não parou quando acenei
Olhei no pulso sem relógio
Respirei fumaça com a velha do meu lado
Reclamando do preço da passagem
Então mandei às favas
Meus carimbos e formulário
Meu café de escriturário
Minhas intrigas de horário comercial
Atravessei a Sigismundo
Sentei na beira do mar
E te materializei
Bebendo um mate no silêncio velado dos milagres
20 setembro 2007
14 setembro 2007
treino d'angola
negativa
negativa
negativa
[até aqui, tudo bem]
negativa, rasteira, rabo de arraia
negativa, rasteira, rabo de arraia
negativa, rasteira, rabo de arraia
[o suor começa a pingar]
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo
[respira que dá]
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo, queda de rim, tesoura
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo, queda de rim, tesoura
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo, queda de rim, tesoura
queda de rim
queda de rim
queda de rim
[ai de mim]
queda de rim!
queda de rim!
queda de rim!
[escorrego na poça de suor]
queda de rim, ponte, tesoura
[está acabando?]
queda de rim, ponte, tesoura
[estou me acabando]
queda de rim, ponte, tesoura
[a visão está turva]
mais uma
mais uma
mais uma
mais uma.
vamos andar...
e ginga.
negativa
negativa
[até aqui, tudo bem]
negativa, rasteira, rabo de arraia
negativa, rasteira, rabo de arraia
negativa, rasteira, rabo de arraia
[o suor começa a pingar]
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo
[respira que dá]
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo, queda de rim, tesoura
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo, queda de rim, tesoura
negativa, rasteira, rabo de arraia, negativa, vira o jogo, queda de rim, tesoura
[o braço começa a tremer]
queda de rim
queda de rim
queda de rim
[ai de mim]
queda de rim!
queda de rim!
queda de rim!
[escorrego na poça de suor]
queda de rim, ponte, tesoura
[está acabando?]
queda de rim, ponte, tesoura
[estou me acabando]
queda de rim, ponte, tesoura
[a visão está turva]
mais uma
mais uma
mais uma
mais uma.
vamos andar...
e ginga.
13 setembro 2007
05 setembro 2007
Fluvial

(para Alice)
Um barco
uma canoa pequena
cheia de gente morena
semblante compenetrado
O outro
jaz no barranco, arredio
esperando a cheia do rio
trinta e dois pés elevado
A minha
motor de cinco agapê
enquanto penso em você
passo por ambos calado
Descubro
que quando de algo se priva
mesmo sem chão pra maniva
o rio chega no mar
No rumo
do rio-abaixo da vida
sei que não estou à deriva
na praia vou te encontrar.
anthropological dark blues experience
Vivo no pós-mundo onde bob dylan janis joplin jimi hendrix estão no livro didático da escola do pós-seringal ensinados por professores fãs da novela das oito com ares de politicamente correta.
Vivo no pós-mundo de hippies punks guerrilheiros semivivos nos livros de história. totens de um futuro do pretérito. mais que consumíveis: consumidos.
Vivo no pós-mundo onde não há diferença entre bob dylan e novela das oito. são todos produtos importados apresentados aos moleques num ar cheirando a queimada crack incenso shopping center.
Vivo no pós-mundo
Vivo no pós-mundo de hippies punks guerrilheiros semivivos nos livros de história. totens de um futuro do pretérito. mais que consumíveis: consumidos.
Vivo no pós-mundo onde não há diferença entre bob dylan e novela das oito. são todos produtos importados apresentados aos moleques num ar cheirando a queimada crack incenso shopping center.
Vivo no pós-mundo
do amor fugaz
dos calmantes
Dos anti-depressivos.
Da guerra mal disfarçada de multiculturalidade.
Do controle remoto: encontros desencontros reencontros.
Dos ricos do jet set/ dos pobres do trecho:
ainda ricos/ ainda pobres.
Da casa sem grades da comunidade ribeirinha, ouço um hino evangélico a cem metros de distância. o sol mais quente/ o rio mais seco. comi jabuti pato galinha apresuntado em lata. assisti ao penúltimo capítulo da novela da outra emissora- a crente. ao som do gerador tiroteio mimético em favela-cenário. os olhos das crinaças do pós-seringal brilhavam de emoção à queda dos bandidos metralhados e do comercial de leite condensado.
Dia desses eu ouvia bob dylan em mp3 anestesiado pendurado num ônibus lotado do recife.
Hoje molhei os pés na canoa que fazia água no rio juruá, mariscando.
Meu lugar não é aqui, não é lá. É no caminho. Se é que há.
Da casa sem grades da comunidade ribeirinha, ouço um hino evangélico a cem metros de distância. o sol mais quente/ o rio mais seco. comi jabuti pato galinha apresuntado em lata. assisti ao penúltimo capítulo da novela da outra emissora- a crente. ao som do gerador tiroteio mimético em favela-cenário. os olhos das crinaças do pós-seringal brilhavam de emoção à queda dos bandidos metralhados e do comercial de leite condensado.
Dia desses eu ouvia bob dylan em mp3 anestesiado pendurado num ônibus lotado do recife.
Hoje molhei os pés na canoa que fazia água no rio juruá, mariscando.
Meu lugar não é aqui, não é lá. É no caminho. Se é que há.
Amazônica
12 julho 2007
(sem título)
Ontem mastiguei um cravo:
Subiu-me um ardor pela boca
Uma cócega na língua
Deu-me um sono de gengiva.
Seu sabor ofuscou minhas papilas
Depois ficou só o gosto bom.
Ontem descobri
Que te gosto feito cravo.
Subiu-me um ardor pela boca
Uma cócega na língua
Deu-me um sono de gengiva.
Seu sabor ofuscou minhas papilas
Depois ficou só o gosto bom.
Ontem descobri
Que te gosto feito cravo.
09 julho 2007
07 julho 2007
baú (1): velharias pro leitor se divertir enquanto termino a minha tese
O rio corre tranqüilo
sem pressa de chegar
porque o caso não é chegar
a vida do rio é correr
quando chega é mar
(São Luiz do Paraitinga, set/04)
...
Dissipado
Quero me dissolver na multidão
Andar a esmo pelas ruas
Até que não sobre sequer vestígio de mim
Quero esquecer quem eu sou
Deixar a barba crescer até os pés
Ter o olhar perdido no infinito
E as crianças a me temer
Não quero ninguém vestido de preto
Nem buscas na vizinhança
Não haverá corpo
Nunca terá havido
Nem corpo, nem alma
Não me esquecerão
Porque nunca terei existido
(São Paulo, set/04)
...
um vento urbano me sopra
murchando flores
abrindo as portas
pendurando-me no ônibus
sinto falta das árvores
colho olhares
sinto-me um caramujo
umbigado em meus pensamentos
ouço através dos barulhos da cidade
por entre as buzinas
tem um bomba no centro
pronta a explodir acordes
de uma velha guitarra
vai explodir depois da chuva
ou quando passar esse calor
pensei ter visto um beija-flor
no décimo andar
mas foi só impressão
me fugiu.
(São Paulo, nov-04)
sem pressa de chegar
porque o caso não é chegar
a vida do rio é correr
quando chega é mar
(São Luiz do Paraitinga, set/04)
...
Dissipado
Quero me dissolver na multidão
Andar a esmo pelas ruas
Até que não sobre sequer vestígio de mim
Quero esquecer quem eu sou
Deixar a barba crescer até os pés
Ter o olhar perdido no infinito
E as crianças a me temer
Não quero ninguém vestido de preto
Nem buscas na vizinhança
Não haverá corpo
Nunca terá havido
Nem corpo, nem alma
Não me esquecerão
Porque nunca terei existido
(São Paulo, set/04)
...
um vento urbano me sopra
murchando flores
abrindo as portas
pendurando-me no ônibus
sinto falta das árvores
colho olhares
sinto-me um caramujo
umbigado em meus pensamentos
ouço através dos barulhos da cidade
por entre as buzinas
tem um bomba no centro
pronta a explodir acordes
de uma velha guitarra
vai explodir depois da chuva
ou quando passar esse calor
pensei ter visto um beija-flor
no décimo andar
mas foi só impressão
me fugiu.
(São Paulo, nov-04)
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